Emil Brunner disse certa vez que, em sua caminhada histórica, a igreja oriunda da Reforma procura automaticamente o engessamento de uma crescente e perene institucionalização, matando o caráter orgânico, vivo e livre da igreja. Brunner identifica o início da institucionalização da igreja quando o apóstolo Paulo normatiza o sacramento da Ceia em 1 Coríntios 11. Discordo do teólogo, pois creio que a semente dessa institucionalização é bem anterior, e pode ser encontrada nos embates travados entre os fariseus e o Crucificado.
Nesses embates, os fariseus, que eram professores da Lei, e que deveriam, por dever de ofício, conhecer as Escrituras, as negam ao reclamarem contra a terrível falha de Jesus em curar num sábado. “Era só o que faltava!”, diziam eles. Em sua sutil hipocrisia, os fariseus da época de Jesus ficavam chateados com a falta de modos do Senhor, que comia sem lavar as mãos, mas não se importaram em corromper um processo jurídico contra ele, ao comprar testemunhas e permitir correr o julgamento no Sinédrio à noite, o que era ilegal à época.
Hoje em dia, a igreja dita evangélica cada vez mais se engessa em seu institucionalismo ensimesmado, se aproximando do sistema religioso farisaico, cada vez mais se distancia da pura fonte de conhecimento de Deus, ou teologia, que é Jesus, e cada vez mais vivencia uma hipocrisia de modo sutil.
Enchemos a boca ao afirmarmos que nossa salvação é pela graça, mas enchemos as pessoas de cargos, sobrecargos e obrigações, que devem ser desempenhados sem pestanejar, para provar que é “um dos nossos” e merecedor da salvação.
Nos alegramos, e até mesmo nos orgulhamos, de nossa herança reformada. Mas, se é verdade que muitos arminianos oram como calvinistas (“Se for da tua vontade, Senhor...”), também é verdade que muitos calvinistas vivem sua vida como perfeitos agnósticos. Afinal, Deus é distante, intangível, inalcançável, portanto vou viver minha vida do meu jeito, sem me importar com isso.
Prezamos a família. Há até ministérios voltados para ela, e grande volume de literatura especializada no tema. Mas o número de divórcios aumenta, a quantidade de maus-tratos contra crianças se torna assustadora (sem contar os casos de abuso sexual cometidos dentro de famílias evangélicas, por pais, tios, avós ou padrastos), cada vez mais desordens de ordem sexual se tornam presentes, sem que isso seja tratado com coragem, discrição e amor. E sem falar também que, de todas as famílias da igreja, a do pastor é a mais penalizada.
Há muitas camisetas e adesivos de carro que dizem “Jesus te ama”, “Deus é amor”, mas somos frios, distantes, individualistas e cruéis. Não conseguimos expressar esse amor ao homossexual, ao alcoólatra, ao mendigo. Ou ao crente da igreja com uma teologia diferente da nossa, ou mesmo ao católico.
Aliás, somos muito ciosos em relação à pureza da nossa devoção. Falamos contra a crescente mariolatria, como bem apontou Hans Küng, mas temos nossos ídolos, nossos pequenos deuses, nossos altares de adoração abjeta. Enquanto muitos católicos adoram uma figura bíblica que foi instrumento da ação de Deus na história, muitos de nós adoramos homens sem escrúpulo, sem caráter e com uma enorme voracidade por fama, poder e dinheiro. Talvez até mesmo por nos espelharmos neles.
Prezamos a transparência, reclamamos até mesmo disso em relação aos governos. Mas não sabemos o que fazer com aqueles que decidem abrir seus corações, expondo suas fraquezas e sua dependência de Deus. Em um tempo de cultivo de heróis gospel, não soa bem se mostrar frágil.
Prezamos o papel de líder, enquanto Jesus prezava a atitude de servo. Prezamos a vitória e a intrepidez, mas Jesus morreu como um bandido fora da cidade santa, abandonado por todos. Nos espelhamos na esperteza relatada em livros sobre liderança, mas Jesus nos incita à simplicidade infantil. Buscamos metodologias para a igreja crescer, mas nos esquecemos que quem enche a igreja é o Espírito, e qualquer outro crescimento produzido fora dele é puro inchaço.
Em tempos em que as técnicas ditam as normas (como bem disse Won Sul Lee), é anacrônico ser fiel a alguém que não se vê e que nem sempre responde como queremos. Mas somos chamados a este anacronismo, somos chamados para vivermos, como diz o antigo hino, para o Deus dos antigos, o Deus que nos limpa por dentro e nos remove a sutil hipocrisia dos fariseus modernos. O Deus que nos quer íntegros e transparentes. O Deus que nos quer santos.
Autor: Rev. Rodrigo de Lima Ferreira
Fonte: [ Ultimato ]
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segunda-feira, 3 de janeiro de 2011
Nossa sutil hipocrisia
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quarta-feira, 20 de outubro de 2010
Eleição mostra influência das igrejas
Publicado em 19.10.2010
A estridência com que o debate moral e religioso emergiu para o topo da agenda nessa eleição presidencial criou a sensação de aumento da influência das igrejas sobre o voto, e de que os candidatos - em especial Dilma Rousseff - foram pegos de surpresa e vitimados pelo dilúvio bíblico. Mas a religião está intensamente envolvida na política brasileira desde que o Descobrimento foi celebrado com uma missa. E os políticos - incluindo Dilma - têm lutado pelo voto religioso com a mesma sofreguidão com que pastores e bispos têm buscado influência e poder - seja por lobby ou por participação direta nos partidos.
Embora se mostre agora perplexa com a "invasão" de temas morais e religiosos no debate eleitoral, Dilma está em "peregrinação" pelo voto católico e evangélico desde o fim de 2008, lembra o sociólogo Ricardo Mariano, da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul.
Em novembro daquele ano, com um véu cobrindo a cabeça - como manda o protocolo -, Dilma participou de audiência com o papa Bento XVI no Vaticano. Nela, Lula selou acordo com a Santa Sé, comprometendo-se com uma lista de reivindicações da Igreja, incluindo a orientação católica no ensino religioso nas escolas públicas, o que originou uma ação do Ministério Público questionando sua legalidade. Mediante a bênção do papa, Lula lançou Dilma para a presidência, em entrevista a cinco jornalistas italianos. De lá para cá, Dilma visitou inúmeras lideranças religiosas - assim como Serra e Marina.
A deferência de Lula parece resultar da experiência. Enquanto não buscou o voto evangélico, Lula foi derrotado nas disputas presidenciais de 1989, 1994 e 1998, quando esse voto foi maciçamente despejado em Fernando Collor e, duas vezes, em Fernando Henrique Cardoso, respectivamente. No primeiro turno de 2002, os evangélicos votaram no "irmão" Anthony Garotinho. Foi a partir daquele segundo turno que Lula passou a compartilhar grande parte desses votos, graças a uma aliança com a Igreja Universal do Reino de Deus, lembra Cesar Romero Jacob, autor de A Geografia do Voto nas Eleições Presidenciais do Brasil: 1989-2006. "Lula se tornou pragmático, foi para o centro e atraiu os evangélicos."
Alianças. Baseado em suas pesquisas, Jacob traça um axioma segundo o qual para se vencer eleições presidenciais no Brasil é preciso aliar-se às oligarquias locais no interior do País e aos políticos populistas e líderes pentecostais na periferia pobre das regiões metropolitanas; além de elaborar um discurso para a classe média urbana. Foi o que Collor, FHC e Lula fizeram antes de se elegerem presidentes, diz o analista.
A questão religiosa afeta Dilma Rousseff, José Serra e Marina Silva de formas muito distintas, observam os especialistas. Serra, de uma certa maneira, foi vacinado contra a propaganda viral dos grupos anti-aborto em 2002, quando disputou a presidência pela primeira vez. Naquela campanha, ele percebeu que seria prejudicado pela informação de que tinha, como ministro da Saúde (1998-2002), implantado no Sistema Único de Saúde (SUS) procedimentos de aborto previstos na lei - em casos de estupro e risco de vida para a gestante. Além disso, o SUS começou a distribuir a pílula do dia seguinte, considerada abortiva pelos conservadores. Serra passou então a declarar-se contrário à descriminalização do aborto, que segundo ele levaria a uma "carnificina".
Convicções. Marina, como integrante da Assembleia de Deus, tem uma relação bem diferente com o tema. Os religiosos conservadores confiam nas suas convicções morais. Seu problema é o inverso, observa Ricardo Mariano: como pertencente à minoria evangélica (de um quarto a um quinto da população) em meio a uma maioria católica (dois terços dos brasileiros), ela tomou o cuidado de não ser vista como candidata dos evangélicos - ao mesmo tempo em que visitou seus templos tão ou mais frequentemente do que Dilma e Serra. Marina lava as mãos e propõe que um plebiscito resolva o assunto do aborto.
A situação de Dilma é mais delicada. O YouTube, site de exibição de vídeos na internet, apresenta declarações suas em termos considerados inaceitáveis por muitos conservadores. Em 2007, ela diz, em entrevista à revista IstoÉ: "Sou a favor de uma legislação que obrigue a ter tratamento para as pessoas para não correr risco de vida, igual aos países desenvolvidos do mundo inteiro, para quem estiver em condições de fazer o aborto ou querendo fazer o aborto." À pergunta sobre se é um ato de livre escolha, ela respondeu: "Acho que tem de ser tratado como uma questão de saúde pública."
Fonte: http://www.estadao.com.br/, 10/10/2010 (Extratído do Instituto Jetro)
O conteúdo das notícias é de responsabilidade de seus respectivos autores e veículo de comunicação, não refletindo necessariamente a opinião do Instituto Jetro.
A estridência com que o debate moral e religioso emergiu para o topo da agenda nessa eleição presidencial criou a sensação de aumento da influência das igrejas sobre o voto, e de que os candidatos - em especial Dilma Rousseff - foram pegos de surpresa e vitimados pelo dilúvio bíblico. Mas a religião está intensamente envolvida na política brasileira desde que o Descobrimento foi celebrado com uma missa. E os políticos - incluindo Dilma - têm lutado pelo voto religioso com a mesma sofreguidão com que pastores e bispos têm buscado influência e poder - seja por lobby ou por participação direta nos partidos.
Embora se mostre agora perplexa com a "invasão" de temas morais e religiosos no debate eleitoral, Dilma está em "peregrinação" pelo voto católico e evangélico desde o fim de 2008, lembra o sociólogo Ricardo Mariano, da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul.
Em novembro daquele ano, com um véu cobrindo a cabeça - como manda o protocolo -, Dilma participou de audiência com o papa Bento XVI no Vaticano. Nela, Lula selou acordo com a Santa Sé, comprometendo-se com uma lista de reivindicações da Igreja, incluindo a orientação católica no ensino religioso nas escolas públicas, o que originou uma ação do Ministério Público questionando sua legalidade. Mediante a bênção do papa, Lula lançou Dilma para a presidência, em entrevista a cinco jornalistas italianos. De lá para cá, Dilma visitou inúmeras lideranças religiosas - assim como Serra e Marina.
A deferência de Lula parece resultar da experiência. Enquanto não buscou o voto evangélico, Lula foi derrotado nas disputas presidenciais de 1989, 1994 e 1998, quando esse voto foi maciçamente despejado em Fernando Collor e, duas vezes, em Fernando Henrique Cardoso, respectivamente. No primeiro turno de 2002, os evangélicos votaram no "irmão" Anthony Garotinho. Foi a partir daquele segundo turno que Lula passou a compartilhar grande parte desses votos, graças a uma aliança com a Igreja Universal do Reino de Deus, lembra Cesar Romero Jacob, autor de A Geografia do Voto nas Eleições Presidenciais do Brasil: 1989-2006. "Lula se tornou pragmático, foi para o centro e atraiu os evangélicos."
Alianças. Baseado em suas pesquisas, Jacob traça um axioma segundo o qual para se vencer eleições presidenciais no Brasil é preciso aliar-se às oligarquias locais no interior do País e aos políticos populistas e líderes pentecostais na periferia pobre das regiões metropolitanas; além de elaborar um discurso para a classe média urbana. Foi o que Collor, FHC e Lula fizeram antes de se elegerem presidentes, diz o analista.
A questão religiosa afeta Dilma Rousseff, José Serra e Marina Silva de formas muito distintas, observam os especialistas. Serra, de uma certa maneira, foi vacinado contra a propaganda viral dos grupos anti-aborto em 2002, quando disputou a presidência pela primeira vez. Naquela campanha, ele percebeu que seria prejudicado pela informação de que tinha, como ministro da Saúde (1998-2002), implantado no Sistema Único de Saúde (SUS) procedimentos de aborto previstos na lei - em casos de estupro e risco de vida para a gestante. Além disso, o SUS começou a distribuir a pílula do dia seguinte, considerada abortiva pelos conservadores. Serra passou então a declarar-se contrário à descriminalização do aborto, que segundo ele levaria a uma "carnificina".
Convicções. Marina, como integrante da Assembleia de Deus, tem uma relação bem diferente com o tema. Os religiosos conservadores confiam nas suas convicções morais. Seu problema é o inverso, observa Ricardo Mariano: como pertencente à minoria evangélica (de um quarto a um quinto da população) em meio a uma maioria católica (dois terços dos brasileiros), ela tomou o cuidado de não ser vista como candidata dos evangélicos - ao mesmo tempo em que visitou seus templos tão ou mais frequentemente do que Dilma e Serra. Marina lava as mãos e propõe que um plebiscito resolva o assunto do aborto.
A situação de Dilma é mais delicada. O YouTube, site de exibição de vídeos na internet, apresenta declarações suas em termos considerados inaceitáveis por muitos conservadores. Em 2007, ela diz, em entrevista à revista IstoÉ: "Sou a favor de uma legislação que obrigue a ter tratamento para as pessoas para não correr risco de vida, igual aos países desenvolvidos do mundo inteiro, para quem estiver em condições de fazer o aborto ou querendo fazer o aborto." À pergunta sobre se é um ato de livre escolha, ela respondeu: "Acho que tem de ser tratado como uma questão de saúde pública."
Fonte: http://www.estadao.com.br/, 10/10/2010 (Extratído do Instituto Jetro)
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terça-feira, 14 de setembro de 2010
Doutrina e Divergência
Por: Abraham Kuyper
A questão das divergências doutrinárias no seio da igreja tem sido discutida à exaustão por teólogos e líderes eclesiásticos.
Trata-se do seguinte: será que duas doutrinas distintas não podem ser mantidas no contexto da mesma igreja? Não deveríamos permitir divergências? Não deveríamos ser tolerantes e acobertar ou ignorar esses pontos de divergência a fim de manter a paz? Será que não poderíamos pelo menos moderar as diferenças, mantendo-as dentro de certos parâmetros?
Como de costume, buscamos pela resposta na Palavra de Deus. É nela que encontraremos os parâmetros dentro dos quais devemos permanecer.
Há três fases a considerar: nossa própria atitude em relação a tais divergências, os próprios pontos de divergência e, finalmente, as pessoas de quem nós divergimos.
Em relação à nossa atitude, não devemos de forma alguma deixar que interesses pessoais (ou que qualquer sentimento de animosidade em relação àqueles que discordam de nós) interfiram no nosso zelo na defesa da verdade. É nosso dever odiar qualquer inverdade e qualquer mal por amor a Deus, e é nosso dever tentar trazer de volta ao caminho correto aqueles que se desviaram.
Quando Moisés despedaçou as tábuas da lei no monte e reduziu a pó o bezerro de ouro, ele não estava a dar vazão à sua raiva pessoal e amarga, mas sim expressando seu zeolo por Deus. Isso é evidente no fato de ter ele implorado para ter seu nome removido do livro de Deus para evitar que Deus desonrasse Seu Santo Nome destruindo os israelitas. Paulo exige a mesma atitude de cada servo de Cristo ao escrever a Timóteo: “E ao servo do Senhor não convém contender, mas sim, ser manso para com todos, apto para ensinar, sofredor; instruindo com mansidão os que resistem, a ver se porventura Deus lhes dará arrependimento para conhecerem a verdade…” (2Tim. II, 24-25). Além disso, “que pregues a palavra, instes a tempo e fora de tempo, redarguas, repreendas, exortes, com toda a longanimidade e doutrina.” (2Tim. IV, 2). Tais palavras não ensinam indolência ou indiferença ou silêncio para com a crença dos outros, mas de fato insistem que, em todo protesto contra falsas doutrinas, a motivação não deve ser o sentimento pessoal, mas sim, a glória de Deus e a edificação de nossos irmãos, incluindo aqueles de quem discordamos.
Os próprios pontos de divergência também devem ser levados em conta, independentemente de serem ou não doutrina fundamental. Onde houver divergência de interpretação de uma certa passagem da Escritura mas nenhuma doutrina fundamental for envolvida, deve haver tolerência. Uma pessoa tem direito à sua opinião sem negar esse direito a outra: o leitor cristão é livre para aceitar aquela interpretação que ele, guiado pelo Espírito Santo que habita em si, julgar ser mais correta (ou menos problemática). Isso é parte da liberdade que têm os filhos de Deus. Ora, nós só conhecemos em parte, e nós só profetizamos em parte, porque enxergamos tudo embaçado. E é através da própria variedade de opiniões que, por vezes, o sentido de uma passagem é esclarecido com o passar do tempo.
Todavia, se a interpretação for tal que contradiga algum artigo da fé, então deve ser refutada, pois a verdade do Evangelho deve ser defendida contra toda falsa doutrina.
Veja, por exemplo, o que Cristo diz: “meu Pai é maior do que eu” (Jo. XIV, 28). Alguns interpretam isso como uma alusão à Sua natureza humana. Outros dizem que Jesus queria ressaltar Seu estado de humilhação. E outros entendem que isso significa que, na condição de nosso Mediador, ao se tornar obediente ao Seu Pai, Cristo se humilhou. Nenhum dos três entra em conflito com as confissões. Contudo, se o texto for interpretado como se dissesse que Cristo revoga divindade, que Ele nega Sua unidade essencial com o Pai, então nos deparamos com uma doutrina que se choca contra a confissão de que Cristo é verdadeiro e eterno Deus. Tal divergência não pode ser tolerada no seio da igreja.
Finalmente, consideremos as pessoas que são desviadas por falsas opiniões e doutrinas. Tais pessoas podem ser classificadas de duas formas: aqueles neófitos ou fracos na fé e aqueles que são fortes e que defendem forte e abertamente as suas ideias e pelejam para ganhar adeptos. A primeira categoria deve ser tratada gentilmente, e instruída em uma porção maior da verdade, no intuito de que cresçam na fé. Devemos ser pacientes com os que são fracos.
Entretanto, não podemos ser tolerantes com aqueles que aceitam e que ensinam doutrinas que não estão de acordo com a Palavra de Deus. Temos o dever de defender veementemente a verdade, de modo que, se possível, eles possam ser ganhados de volta, ou pelo menos advertidos de seu erro. O conselho completo de Deus lhes deveria ser exposto de modo simples e claro.
Tolerância e paciência, portanto, devem certamente caracterizar a nossa atitude pessoal em geral e também nos casos de divergência pequena. Paciência também é chave ao lidar com aqueles que são neófitos ou fracos na fé.
Contudo, aqueles que ensinam qualquer coisa contrária à Palavra de Deus não podem permanecer na igreja de Deus.
_________________________
Sobre o autor: O escritor holandês Abraham Kuyper (1837-1920), filósofo, teólogo e estadista, fez parte de um movimento de reforma interna da igreja holandesa e depois tornou-se primeiro-ministro de seu país. É mais conhecido através de suas Preleções Stone a respeito da cosmovisão reformada e de seus livros devocionais. É considerado o pai fundador do movimento neocalvinista por conta do desenvolvimento da teoria das esferas de soberania e um dos principais líderes políticos cristãos conservadores do século XX.
Traduzido por: Lucas G. Freire.
Fonte: The Practice of Godliness (Grand Rapids: Eerdmans, 1948), pp.47-49.
Extraído do blog: [ Neocalvinismo sem Mundanismo ]
Via: [ Eleitos de Deus ]
A questão das divergências doutrinárias no seio da igreja tem sido discutida à exaustão por teólogos e líderes eclesiásticos.
Trata-se do seguinte: será que duas doutrinas distintas não podem ser mantidas no contexto da mesma igreja? Não deveríamos permitir divergências? Não deveríamos ser tolerantes e acobertar ou ignorar esses pontos de divergência a fim de manter a paz? Será que não poderíamos pelo menos moderar as diferenças, mantendo-as dentro de certos parâmetros?
Como de costume, buscamos pela resposta na Palavra de Deus. É nela que encontraremos os parâmetros dentro dos quais devemos permanecer.
Há três fases a considerar: nossa própria atitude em relação a tais divergências, os próprios pontos de divergência e, finalmente, as pessoas de quem nós divergimos.
Em relação à nossa atitude, não devemos de forma alguma deixar que interesses pessoais (ou que qualquer sentimento de animosidade em relação àqueles que discordam de nós) interfiram no nosso zelo na defesa da verdade. É nosso dever odiar qualquer inverdade e qualquer mal por amor a Deus, e é nosso dever tentar trazer de volta ao caminho correto aqueles que se desviaram.
Quando Moisés despedaçou as tábuas da lei no monte e reduziu a pó o bezerro de ouro, ele não estava a dar vazão à sua raiva pessoal e amarga, mas sim expressando seu zeolo por Deus. Isso é evidente no fato de ter ele implorado para ter seu nome removido do livro de Deus para evitar que Deus desonrasse Seu Santo Nome destruindo os israelitas. Paulo exige a mesma atitude de cada servo de Cristo ao escrever a Timóteo: “E ao servo do Senhor não convém contender, mas sim, ser manso para com todos, apto para ensinar, sofredor; instruindo com mansidão os que resistem, a ver se porventura Deus lhes dará arrependimento para conhecerem a verdade…” (2Tim. II, 24-25). Além disso, “que pregues a palavra, instes a tempo e fora de tempo, redarguas, repreendas, exortes, com toda a longanimidade e doutrina.” (2Tim. IV, 2). Tais palavras não ensinam indolência ou indiferença ou silêncio para com a crença dos outros, mas de fato insistem que, em todo protesto contra falsas doutrinas, a motivação não deve ser o sentimento pessoal, mas sim, a glória de Deus e a edificação de nossos irmãos, incluindo aqueles de quem discordamos.
Os próprios pontos de divergência também devem ser levados em conta, independentemente de serem ou não doutrina fundamental. Onde houver divergência de interpretação de uma certa passagem da Escritura mas nenhuma doutrina fundamental for envolvida, deve haver tolerência. Uma pessoa tem direito à sua opinião sem negar esse direito a outra: o leitor cristão é livre para aceitar aquela interpretação que ele, guiado pelo Espírito Santo que habita em si, julgar ser mais correta (ou menos problemática). Isso é parte da liberdade que têm os filhos de Deus. Ora, nós só conhecemos em parte, e nós só profetizamos em parte, porque enxergamos tudo embaçado. E é através da própria variedade de opiniões que, por vezes, o sentido de uma passagem é esclarecido com o passar do tempo.
Todavia, se a interpretação for tal que contradiga algum artigo da fé, então deve ser refutada, pois a verdade do Evangelho deve ser defendida contra toda falsa doutrina.
Veja, por exemplo, o que Cristo diz: “meu Pai é maior do que eu” (Jo. XIV, 28). Alguns interpretam isso como uma alusão à Sua natureza humana. Outros dizem que Jesus queria ressaltar Seu estado de humilhação. E outros entendem que isso significa que, na condição de nosso Mediador, ao se tornar obediente ao Seu Pai, Cristo se humilhou. Nenhum dos três entra em conflito com as confissões. Contudo, se o texto for interpretado como se dissesse que Cristo revoga divindade, que Ele nega Sua unidade essencial com o Pai, então nos deparamos com uma doutrina que se choca contra a confissão de que Cristo é verdadeiro e eterno Deus. Tal divergência não pode ser tolerada no seio da igreja.
Finalmente, consideremos as pessoas que são desviadas por falsas opiniões e doutrinas. Tais pessoas podem ser classificadas de duas formas: aqueles neófitos ou fracos na fé e aqueles que são fortes e que defendem forte e abertamente as suas ideias e pelejam para ganhar adeptos. A primeira categoria deve ser tratada gentilmente, e instruída em uma porção maior da verdade, no intuito de que cresçam na fé. Devemos ser pacientes com os que são fracos.
Entretanto, não podemos ser tolerantes com aqueles que aceitam e que ensinam doutrinas que não estão de acordo com a Palavra de Deus. Temos o dever de defender veementemente a verdade, de modo que, se possível, eles possam ser ganhados de volta, ou pelo menos advertidos de seu erro. O conselho completo de Deus lhes deveria ser exposto de modo simples e claro.
Tolerância e paciência, portanto, devem certamente caracterizar a nossa atitude pessoal em geral e também nos casos de divergência pequena. Paciência também é chave ao lidar com aqueles que são neófitos ou fracos na fé.
Contudo, aqueles que ensinam qualquer coisa contrária à Palavra de Deus não podem permanecer na igreja de Deus.
_________________________
Sobre o autor: O escritor holandês Abraham Kuyper (1837-1920), filósofo, teólogo e estadista, fez parte de um movimento de reforma interna da igreja holandesa e depois tornou-se primeiro-ministro de seu país. É mais conhecido através de suas Preleções Stone a respeito da cosmovisão reformada e de seus livros devocionais. É considerado o pai fundador do movimento neocalvinista por conta do desenvolvimento da teoria das esferas de soberania e um dos principais líderes políticos cristãos conservadores do século XX.
Traduzido por: Lucas G. Freire.
Fonte: The Practice of Godliness (Grand Rapids: Eerdmans, 1948), pp.47-49.
Extraído do blog: [ Neocalvinismo sem Mundanismo ]
Via: [ Eleitos de Deus ]
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quarta-feira, 28 de julho de 2010
Gente cansada de Igreja
Entrevista com Israel Belo de Azevedo
Publicado em 26.07.2010
Seja pelo falso mito dos "súper-crentes", o excesso de trabalho e/ou a alta expectativa e exigências das pessoas, vivemos dias em que somos pressionados (e porque não dizer "apressados") a fazer e ser o que esperam de nós. Resultado: Gente cansada! Gente decepcionada!
Por isto e por outros fatores, há muita gente cansada de igreja também, gente que logo ficará cansada de Deus, gente que logo se afastará de Deus, às vezes irremediavelmente.
Refletindo sobre esta situação é que entrevistamos o Pr.Israel Belo de Azevedo, graduado em Jornalismo, mestre em Teologia, doutor em Filosofia e autor de livros, como O Prazer da Produção Científica, Olhar de Incerteza e Gente Cansada de Igreja.
Pastor da Igreja Batista de Itacuruça, no Rio de Janeiro e diretor do Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil.
Em sua opinião, o que leva tanta gente a desistir de frequentar uma igreja?
Os fatores são internos e externos. Por internos, eu me refiro à própria condição do desistente de igreja, não importa a situação da comunidade. Menciono as expectativas sobre a igreja (líderes e membros) que não podem ser preenchidas, como atenção o tempo todo, e os desgastes emocionais, não necessariamente ligadas à igreja. As pessoas imaginam que a igreja seja uma organização perfeita e, quando descobrem que não é, desistem dela, por exemplo. As relações humanas, como na vida conjugal, são muito difíceis sempre.
Por externos, menciono os abusos que as lideranças cometem, por autoritarismo ou por desvio de conduta, sobre os membros e sublinho também a cultura da falta de compromisso e de disciplina, vigente em nossos dias. Para que se comprometer, perguntam alguns. A relação de troca acaba estressando os relacionamentos, que acabam extintos, em muitos casos. É mais fácil cobrar o que a igreja pode fazer por mim do que me perguntar o que posso fazer por ela.
Sendo a decepção um dos motivos da desistência, como devemos lidar com ela em nossos relacionamentos e na Igreja?
Não adianta pedir a um decepcionado que faça uma avaliação das causas de seu afastamento no calor da hora, ele apenas fará girar a sua metralhadora, da qual ninguém escapa, exceto ele mesmo. Mas devemos nos perguntar: onde falhamos. Como na vida conjugal, não apenas um lado falha. Os líderes precisam também tomar o cuidado para não acharem que a artilharia está assestada contra ele. Também não podem achar que não é com eles o problema.
Se o líder é um pregador, deve saber que as pessoas vão ouvir o que quiserem ouvir, o que demanda, por parte dele, um cuidado extremo. Uma vez, por exemplo, mencionei o valor da pontualidade. Depois de algum tempo, uma pessoa voltara à igreja e achou que era para ela que eu estava falando. Foi quase impossível ela entender que a orientação era para todos.
Uma das maiores dificuldades é equilibrar o respeito pelas pessoas e interesse por suas vidas. Uma pessoa desaparece e ninguém a procura. O que isto significa: respeito ou desinteresse? Da parte dos membros em geral, eles devem conferir o que ouviram. Da parte dos líderes, deve ter real interesse pelas pessoas.
Podemos afirmar que tem gente cansada de igreja dentro das Igrejas? Se sim, quais as suas características.
Sim, há, tanto dentro quanto fora. Os que já estão fora acham que a igreja prega uma coisa e vive outra, o que se aplica a líderes e membros em geral. Os que ainda estão dentro vivem reclamando, mas ainda não desistiram. Ainda bem.
Como a imagem da capa do seu livro ilustra, muitos cristãos estão parecidos com os fósforos apagados. A que se deve tanto desânimo?
Um dos fatores é o sacerdotalismo, que tem dois autores: os membros e os líderes. Por um tempo, a idéia de um sacerdote que ora por todos e que faz tudo é conveniente, embora contrária aos princípios das Sagradas Escrituras. Precisamos dessacertotizar a igreja. É difícil porque isto vem do judaísmo e foi reproduzido pelo catolicismo romano, e somos todos um pouco judeus e um pouco católico-romanos. A maioria das pessoas não descobriu a riqueza de ser seu próprio sacerdote. Outro fator é a dita vida moderna, com tantas exigências e tantas metas. As pessoas se cansam da vida. Nem sempre a igreja consegue ser um lugar de descanso.
Como podemos agir para trazer de volta a chama do primeiro amor esquecido?
Esta é uma tarefa quase perdida. Rick Warren disse que é um esforço sem recompensa buscar os que se foram, tendo estado um tempo na igreja. Sim, eles são muito críticos e muito amargos. No entanto, devemos desenvolver ações neste sentido, mesmo que não dê resultado. Há alguns anos telefonei e escrevi para todos os afastados; nenhum voltou. Assim mesmo, vamos fazer outro esforço neste sentido. Eles precisam saber que nos fazem falta.
Precisamos gastar tempo com os que estão na igreja, para que entendam o que é a fé cristã. Boa parte não sabe.
Que cristianismo estamos passando aos mais jovens? Que disposição os mais jovens têm para levar a Palavra do evangelho de Cristo?
O problema, nesta área, não são os mais jovens, são os mais velhos.
Quais os conselhos que você daria para pastores e líderes cansados e/ou liderando gente cansada?
Quando meu pai morreu, no ano 2000, eu me lembro de poucas coisas do culto, que foi celebrado no próprio cemitério. Eu não lembro de nenhuma palavra, mas lembro de um pastor que apenas me abraçou. Precisamos, portanto, encontrar situações em que estejamos juntos. Precisamos fazer a igreja crescer: gente nova contagia; crente velho se cansa um do outro. Precisamos rever sempre a nossa motivação: por que estamos na igreja? o que nos move como líderes? qual é o nosso combustível: amor, sucesso, senso de missão ?
Reprodução Autorizada desde que mantida a integridade dos textos, mencionado o autor e o site http://www.institutojetro.com/ e comunicada sua utilização através do e-mail artigos@institutojetro.com
URL: http://www.institutojetro.com/lendoentrevista.asp?t=0&a=2236
Site: http://www.institutojetro.com/
Título do artigo: Gente cansada de Igreja
Autor: Israel Belo de Azevedo
Publicado em 26.07.2010
Seja pelo falso mito dos "súper-crentes", o excesso de trabalho e/ou a alta expectativa e exigências das pessoas, vivemos dias em que somos pressionados (e porque não dizer "apressados") a fazer e ser o que esperam de nós. Resultado: Gente cansada! Gente decepcionada!
Por isto e por outros fatores, há muita gente cansada de igreja também, gente que logo ficará cansada de Deus, gente que logo se afastará de Deus, às vezes irremediavelmente.
Refletindo sobre esta situação é que entrevistamos o Pr.Israel Belo de Azevedo, graduado em Jornalismo, mestre em Teologia, doutor em Filosofia e autor de livros, como O Prazer da Produção Científica, Olhar de Incerteza e Gente Cansada de Igreja.
Pastor da Igreja Batista de Itacuruça, no Rio de Janeiro e diretor do Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil.
Em sua opinião, o que leva tanta gente a desistir de frequentar uma igreja?
Os fatores são internos e externos. Por internos, eu me refiro à própria condição do desistente de igreja, não importa a situação da comunidade. Menciono as expectativas sobre a igreja (líderes e membros) que não podem ser preenchidas, como atenção o tempo todo, e os desgastes emocionais, não necessariamente ligadas à igreja. As pessoas imaginam que a igreja seja uma organização perfeita e, quando descobrem que não é, desistem dela, por exemplo. As relações humanas, como na vida conjugal, são muito difíceis sempre.
Por externos, menciono os abusos que as lideranças cometem, por autoritarismo ou por desvio de conduta, sobre os membros e sublinho também a cultura da falta de compromisso e de disciplina, vigente em nossos dias. Para que se comprometer, perguntam alguns. A relação de troca acaba estressando os relacionamentos, que acabam extintos, em muitos casos. É mais fácil cobrar o que a igreja pode fazer por mim do que me perguntar o que posso fazer por ela.
Sendo a decepção um dos motivos da desistência, como devemos lidar com ela em nossos relacionamentos e na Igreja?
Não adianta pedir a um decepcionado que faça uma avaliação das causas de seu afastamento no calor da hora, ele apenas fará girar a sua metralhadora, da qual ninguém escapa, exceto ele mesmo. Mas devemos nos perguntar: onde falhamos. Como na vida conjugal, não apenas um lado falha. Os líderes precisam também tomar o cuidado para não acharem que a artilharia está assestada contra ele. Também não podem achar que não é com eles o problema.
Se o líder é um pregador, deve saber que as pessoas vão ouvir o que quiserem ouvir, o que demanda, por parte dele, um cuidado extremo. Uma vez, por exemplo, mencionei o valor da pontualidade. Depois de algum tempo, uma pessoa voltara à igreja e achou que era para ela que eu estava falando. Foi quase impossível ela entender que a orientação era para todos.
Uma das maiores dificuldades é equilibrar o respeito pelas pessoas e interesse por suas vidas. Uma pessoa desaparece e ninguém a procura. O que isto significa: respeito ou desinteresse? Da parte dos membros em geral, eles devem conferir o que ouviram. Da parte dos líderes, deve ter real interesse pelas pessoas.
Podemos afirmar que tem gente cansada de igreja dentro das Igrejas? Se sim, quais as suas características.
Sim, há, tanto dentro quanto fora. Os que já estão fora acham que a igreja prega uma coisa e vive outra, o que se aplica a líderes e membros em geral. Os que ainda estão dentro vivem reclamando, mas ainda não desistiram. Ainda bem.
Como a imagem da capa do seu livro ilustra, muitos cristãos estão parecidos com os fósforos apagados. A que se deve tanto desânimo?
Um dos fatores é o sacerdotalismo, que tem dois autores: os membros e os líderes. Por um tempo, a idéia de um sacerdote que ora por todos e que faz tudo é conveniente, embora contrária aos princípios das Sagradas Escrituras. Precisamos dessacertotizar a igreja. É difícil porque isto vem do judaísmo e foi reproduzido pelo catolicismo romano, e somos todos um pouco judeus e um pouco católico-romanos. A maioria das pessoas não descobriu a riqueza de ser seu próprio sacerdote. Outro fator é a dita vida moderna, com tantas exigências e tantas metas. As pessoas se cansam da vida. Nem sempre a igreja consegue ser um lugar de descanso.
Como podemos agir para trazer de volta a chama do primeiro amor esquecido?
Esta é uma tarefa quase perdida. Rick Warren disse que é um esforço sem recompensa buscar os que se foram, tendo estado um tempo na igreja. Sim, eles são muito críticos e muito amargos. No entanto, devemos desenvolver ações neste sentido, mesmo que não dê resultado. Há alguns anos telefonei e escrevi para todos os afastados; nenhum voltou. Assim mesmo, vamos fazer outro esforço neste sentido. Eles precisam saber que nos fazem falta.
Precisamos gastar tempo com os que estão na igreja, para que entendam o que é a fé cristã. Boa parte não sabe.
Que cristianismo estamos passando aos mais jovens? Que disposição os mais jovens têm para levar a Palavra do evangelho de Cristo?
O problema, nesta área, não são os mais jovens, são os mais velhos.
Quais os conselhos que você daria para pastores e líderes cansados e/ou liderando gente cansada?
Quando meu pai morreu, no ano 2000, eu me lembro de poucas coisas do culto, que foi celebrado no próprio cemitério. Eu não lembro de nenhuma palavra, mas lembro de um pastor que apenas me abraçou. Precisamos, portanto, encontrar situações em que estejamos juntos. Precisamos fazer a igreja crescer: gente nova contagia; crente velho se cansa um do outro. Precisamos rever sempre a nossa motivação: por que estamos na igreja? o que nos move como líderes? qual é o nosso combustível: amor, sucesso, senso de missão ?
Reprodução Autorizada desde que mantida a integridade dos textos, mencionado o autor e o site http://www.institutojetro.com/ e comunicada sua utilização através do e-mail artigos@institutojetro.com
URL: http://www.institutojetro.com/lendoentrevista.asp?t=0&a=2236
Site: http://www.institutojetro.com/
Título do artigo: Gente cansada de Igreja
Autor: Israel Belo de Azevedo
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sexta-feira, 12 de março de 2010
A “igreja” que matou Jesus
A igreja que matou Jesus preferiu conviver com um marginal e assassino do que com Jesus.
A igreja que matou Jesus também matou os profetas.
A igreja que matou Jesus era religiosa.
A igreja que matou Jesus convivia com Ele, mas não o conhecia.
A igreja que matou Jesus era hipócrita.
A igreja que matou Jesus fazia do templo e da Palavra, comércio.
A igreja que matou Jesus envolveu-se com a política da época.
Na igreja que matou Jesus havia podres e sujeiras.
Na igreja que matou Jesus a última palavra era dos poderosos, os santos sumo sacerdotes.
Na igreja que matou Jesus a comunhão era fingida. O amor, discursivo.
Os religiosos da igreja que matou Jesus diziam-se santos, vestiam-se adequadamente, davam o dízimo, mas estavam prontos a apedrejar a pecadora.
A igreja que matou Jesus foi a igreja dos cidadãos da alta sociedade judaica, mas se assegurou de manter os marginalizados à margem.
A igreja que matou Jesus não frutificava.
Na igreja que matou Jesus havia muita reverência – aos homens – , mas poucos homens-referência.
Na igreja que matou Jesus vivia-se uma verdade inventada, dogmática.
Na igreja que matou Jesus a misericórdia tinha preço “$”.
A igreja que matou Jesus cumpria a Lei, mas desconhecia a Graça.
A igreja que matou Jesus ignorava Sua voz, mas orava em voz alta.
A igreja que matou Jesus tinha tanta convicção em suas verdades que o mataram.
A igreja que matou Jesus nem chegou a ser chamada de Igreja, mas ainda existe.
Você a conhece?
Autora: Jéssica Mara
Fonte: [ Cristão Crítico ]
Via: [ Emeurgência ]
..
A igreja que matou Jesus também matou os profetas.
A igreja que matou Jesus era religiosa.
A igreja que matou Jesus convivia com Ele, mas não o conhecia.
A igreja que matou Jesus era hipócrita.
A igreja que matou Jesus fazia do templo e da Palavra, comércio.
A igreja que matou Jesus envolveu-se com a política da época.
Na igreja que matou Jesus havia podres e sujeiras.
Na igreja que matou Jesus a última palavra era dos poderosos, os santos sumo sacerdotes.
Na igreja que matou Jesus a comunhão era fingida. O amor, discursivo.
Os religiosos da igreja que matou Jesus diziam-se santos, vestiam-se adequadamente, davam o dízimo, mas estavam prontos a apedrejar a pecadora.
A igreja que matou Jesus foi a igreja dos cidadãos da alta sociedade judaica, mas se assegurou de manter os marginalizados à margem.
A igreja que matou Jesus não frutificava.
Na igreja que matou Jesus havia muita reverência – aos homens – , mas poucos homens-referência.
Na igreja que matou Jesus vivia-se uma verdade inventada, dogmática.
Na igreja que matou Jesus a misericórdia tinha preço “$”.
A igreja que matou Jesus cumpria a Lei, mas desconhecia a Graça.
A igreja que matou Jesus ignorava Sua voz, mas orava em voz alta.
A igreja que matou Jesus tinha tanta convicção em suas verdades que o mataram.
A igreja que matou Jesus nem chegou a ser chamada de Igreja, mas ainda existe.
Você a conhece?
Autora: Jéssica Mara
Fonte: [ Cristão Crítico ]
Via: [ Emeurgência ]
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terça-feira, 2 de março de 2010
Igreja: lugar de sábios ou de antiintelectuais?
antes medita nele dia e noite” – Js 1:8a
Hoje quero abordar um tema que há tempos tem tomado espaço nas minhas reflexões: o antiintelectualismo dentro das igrejas. Então vamos lá.
Observe a mensagem a seguir. Ela é um trecho do discurso proferido por Charles Malik, durante a inauguração do Billy Grahan Center, no campus da Wheaton College, e tinha como tema “As duas tarefas da evangelização”. Segundo Malik a salvação é tanto para a alma quanto para a mente, isto é, converter as pessoas não apenas espiritualmente, mas também intelectualmente.
“Devo ser franco com vocês: o antiintelectualismo é o maior perigo que o cristianismo evangélico enfrenta. A mente, compreendida em suas maiores e mais profundas faculdades, não tem recebido suficiente atenção. (...) O resultado é que o terreno do pensamento criativo é abandonado e entregue ao inimigo. Quem, entre os evangélicos, pode enfrentar os grandes pensadores seculares em seus próprios termos acadêmicos? Quem, entre os estudiosos evangélicos, é citado pelas maiores autoridades seculares como fonte normativa de história, filosofia, psicologia, sociologia ou política? (…) Por uma maior eficácia no testemunho de Jesus Cristo, bem como em favor de sua causa, os evangélicos não podem se dar ao luxo de continuar vivendo na periferia da existência intelectual responsável.”
O detalhe que chama mais a atenção é o fato de que este discurso foi proferido em 7 de novembro de 1980, ou seja, trinta anos atrás. Não é difícil, porém, constatar que o alerta de Charles Malik não foi o suficiente para que algo fosse feito. Atualmente, o que vivemos é, sem dúvida, uma época extrema de antiintelectualismo, em todas as áreas, inclusive dentro da Igreja Evangélica.
Por incrível que possa parecer, mesmo vivendo a chamada “era do conhecimento”, onde informação de qualidade representa poder, uma época em que boa parte da população, mesmo de baixa renda, tem acesso a televisão, radio e internet, é espantoso constatar que a população, em geral, não consegue lidar com essas informações. Ou pior, não consegue processar tais informações, nem tem senso crítico suficiente para avaliar a qualidade, a veracidade e a utilidade das informações que recebe.
Outros, não poucos, ainda preferem manterem-se ignorantes, nutrindo um sentimento de desdém pelo saber e pelas pessoas que anseiam por estudo e conhecimento. A essa situação podemos chamar antiintelectualismo.
Segundo pesquisas recentes, voluntariamente, os alunos brasileiros lêem, em média, cerca de 1,3 livros por ano. Talvez este seja um dos motivos pelos quais esses alunos têm tão baixos níveis de compreensão e interpretação de textos, e isto, inevitavelmente, se reflete naqueles que freqüentam a igreja e mantêm a mesma postura com relação ao estudo da Bíblia.
Esta defasagem intelectual impõe à Igreja a necessidade de tomar medidas urgentes, como a retomada do incentivo à educação cristã e às quase extintas Escolas Bíblicas Dominicais.
Isto se torna ainda mais relevante, quando lembramos que nós cristãos somos chamados a batalhar pela fé que uma vez nos foi dada (Jd 1:3). Outra razão para que o cristão não se deixe levar pelo que John Sttot chama de “cristianismo de mente vazia” é a necessidade de estarmos sempre preparados para combater as falsas filosofias que proliferam mundo, bem como, e pior ainda, as falsas teologias que invade nossas igrejas.
O cristão precisa ter conhecimento da Palavra de Deus, para não se deixar levar por essa onda de heresias praticadas dentro de certas comunidades, que não vem ao caso citar neste momento. Mas o que se vê, cada vez mais é o povo evangélico, numa postura antiintelectual, deixando de usar sua “porção bereiana” (At. 17:11), preferindo ser iludido com teologia da prosperidade, amuletos gospel, corrente da prosperidade e todo tipo de “mercadoria da fé”.
Triste mesmo é constatar que boa parte deste antiintelectualismo é incentivado por alguns líderes religiosos. Talvez porque imaginam que se mantiverem os seus seguidores na ignorância, poderão enganá-los com maior facilidade.
O início do antiintelectualismo nas igrejas protestantes teve sua gênese com os pregadores avivalistas do século 19, que no afã de lutar contra a apatia e frieza devocional de suas congregações, exageravam no aspecto emocional do cristianismo. Alguns, nem todos, diga-se de passagem, caíram em outro estremo, o desprezo pela intelectualidade.
Ainda hoje é possível ver exemplos de lideranças estimulando o antiintelectualismo. Edir Macedo, líder maior da IURD, em seu livro A Libertação da Teologia, escreve: “Todas as formas e ramos da teologia são fúteis, não passam de emaranhados de idéias que nada dizem ao inculto, confundem os simples e iludem o sábio. Nada acrescentam à fé e nada fazem pelos homens, a não ser aumentar sua capacidade de discutir e discordar entre si.”
A bíblia é clara quanto a necessidade de reflexão intelectual. Vários passagem recomendam: “Conheçamos e prossigamos em conhecer ao Senhor.” (Os 6:3ª); “Errais não conhecendo as Escrituras, nem o poder de Deus” (Mt 22.29); “Persiste em ler, exortar e ensinar” (1Tm 4.13) e “Antes, crescei na graça e conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo (2 Pe 3.18), entre outros.
E o resultado? Dá uma olhadinha no vídeo abaixo. Não quero criticar o cantor, pois minha capacidade musical é semelhante à dele, mas repara só no conteúdo da mensagem que ele está transmitindo.
Autor: Wilson Parpinelli
Fonte: [ Teologia Inteligente ]
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quarta-feira, 23 de setembro de 2009
Procuram-se: Velhos soldados para defenderem velhas verdades
C.H. Spurgeon
A igreja necessita grandemente de cristãos maduros, e especialmente quando há muitos novos convertidos sendo acrescentados a ela. Novos convertidos fornecem ímpeto à igreja, mas a sua espinha dorsal e a sua substância devem, sob Deus, repousar sobre os membros mais maduros.
Nós queremos os cristãos maduros no exército de Cristo fazendo o papel de veteranos, inspirando os demais com frieza, coragem e firmeza; porque se o exército inteiro for composto de recrutas inexperientes a tendência será que eles hesitem quando o assalto for mais feroz que o habitual.
A velha guarda, os homens que respiraram fumaça e comeram fogo anteriormente, não tremem quando a batalha se enfurece como uma tempestade. Eles podem até morrer, mas jamais se rendem. Quando eles ouvem o grito de “Avante,” eles podem não avançar tão agilmente à frente como os soldados mais jovens, mas eles arrastam a artilharia pesada, e o seu avanço uma vez conquistado, é seguro. Eles não vacilam quando os tiros voam intensamente, porque eles se lembram de antigas batalhas em que Jeová cobriu suas cabeças. A igreja precisa, nestes dias de fragilidade e falta de compromisso, de crentes mais decididos, profundos, bem-instruídos e confirmados.
“A velha guarda, os homens que respiraram fumaça e comeram fogo anteriormente, não tremem quando a batalha se enfurece como uma tempestade. Eles podem até morrer, mas jamais se rendem.”
Nós somos assaltados por todo tipo de doutrinas novas. A velha fé é atacada por assim-chamados “reformadores” que adorariam reformá-la completamente. Eu espero ouvir notícias de alguma doutrina nova uma vez por semana. Tão freqüentemente como a lua muda, um ou outro profeta é movido a propor alguma nova teoria, e acreditem, ele lutará mais bravamente por sua novidade do que jamais fez pelo Evangelho. O descobridor se acha um Lutero moderno, e da sua doutrina ele pensa como Davi pensou da espada de Golias: “Não há outra semelhante.”*
“Tão freqüentemente como a lua muda, um ou outro profeta é movido a propor alguma nova teoria, e acreditem, ele lutará mais bravamente por sua novidade do que jamais fez pelo Evangelho.”
Como Martinho Lutero disse de alguns nos seus dias, estes inventores de novas doutrinas encaram suas descobertas como uma vaca diante de um portão novo, como se não houvesse nada mais no mundo para se encarar. Eles esperam que todos nós fiquemos loucos por seus modismos e marchemos de acordo com o seu apito. Ao que nós damos ouvidos? Não, nem por uma hora.
Eles podem reunir uma tropa de recrutas inexperientes e conduzirem-nos para onde quiserem, mas para crentes confirmados eles soam suas cornetas em vão. Crianças correm atrás de qualquer brinquedo novo; em qualquer pequena apresentação de rua os garotos ficam todos excitados, boquiabertos; mas os seus pais têm trabalho por fazer, e suas mães têm outros assuntos em casa; aquele tambor e aquele apito não vão atraí-los.
“Eles podem reunir uma tropa de recrutas inexperientes e conduzirem-nos para onde quiserem, mas para crentes confirmados eles soam suas cornetas em vão.”
Pela solidez da igreja, pela firmeza da fé, por sua defesa contra os recursivos ataques de hereges e infiéis, e pelo avanço permanente dela e a conquista de novas províncias para Cristo, nós não queremos apenas seu sangue jovem, quente, o qual esperamos que Deus sempre nos envie pois é de imensa utilidade e não poderíamos ficar sem. Mas nós também precisamos dos corações frios, firmes, bem-disciplinados e profundamente experimentados de homens que conhecem por experiência a verdade de Deus, e atém-se firmemente ao que aprenderam na escola de Cristo.
Que o Senhor nosso Deus nos envie muitos desses. Eles são extremamente necessários.
--------------------------------------------------------------------------------
* N.T.: Referência a 1 Sm 21:9
Fonte: Trecho extraído do sermão Fruto Maduro pregado em 14 de Agosto de 1870.
Publicado por Phil Johnson no site Pyromaniacs. Via: POIMENIA
Tradução: Juliano Heyse
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quarta-feira, 16 de setembro de 2009
Amor pelo Prazer
Deveria ser entendido, desde o início, que o prazer tem seu lugar certo na vida. No entanto, surgem problemas quando é dado mais importância para uma pessoa da vida cotidiana do que o que é correto e admissível.
As pessoas que são viciadas em pornografia são verdadeiros amantes do prazer. Na verdade, é impossível para um viciado em pornografia não ter amor pelo prazer.
Tornar prazer o aspecto mais importante da vida poderia ser comparada a uma adolescente que acha que pode viver em bares e boates. Verdade, ela não vai cair morta, dentro de alguns dias, por causa de tal dieta pouco saudável, mas a sua qualidade de vida vai ser gravemente prejudicada. A constante ingestão de açúcar vai gradativamente causar podridão em seus dentes, empobrecem o seu nível global de energia e podem mesmo conduzir a uma coisa séria, como a diabetes. Pior que isso, substituindo alimentos saudáveis por doces, o seu corpo não vai receber a alimentação que é necessária para afastar doenças e sustentar a vida. Sem dúvida, o resultado deste estilo de vida seria uma vida doente e uma morte prematura.
Da mesma forma, as experiências agradáveis são destinadas a serem a “sobremesa” da vida. Mantendo na perspectiva correta, a vida é equilibrada pelos pontos principais da dieta saudável: espírito de oração, leitura bíblica, presença na igreja, atos de bondade, dar dízimos e ofertas, e assim por diante. No entanto, quando a gratificação torna-se o principal ponto da existência, assim como as podridões de uma pessoa da vida espiritual, ela acaba também vomitando tudo o que é saudável.
Jesus disse que o amor pelo prazer faz com que os frutos não amadureçam (Lucas 8:14). Tiago disse que por causa do amor pelos prazeres é que não recebemos nada, porque queremos apenas os nossos prazeres (Tiago 4:1-3). O escritor de Hebreus disse que preferiria ser maltratado a se entregar aos prazeres do pecado (Hebreus 11:25). O apóstolo Paulo falou daqueles que são “escravos dos prazeres e paixões” (Tito 3:3).
Embora essas passagens sejam bem profundas, as palavras proféticas de Paulo em II Timóteo 3:4-5 são mais alarmantes. Lá o apóstolo fala dos últimos dias onde teriam alguns que amariam mais os prazeres do que a Deus.
A decepcionante verdade é que quando alguém procura prazer, o mesmo torna-se o principal na vida da pessoa e o amor de Deus fica distante. João expressa algo semelhante quando ele disse: “Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele. Tudo o que está no mundo, a luxúria da carne, os olhares impuros ou algum orgulho de vida, não é do Pai, mas sim do mundo.” (1 João 2:15 b-16)
Tudo está falando do mesmo fenômeno espiritual: o desejo por prazeres mundanos anula a habilidade de estar em um verdadeiro relacionamento com Deus.
A forma de “bonzinho” pode parecer intacta, mas, na realidade, a vida espiritual da pessoa se torna dependente desse estilo de vida.
A Pornografia é extremamente viciante devido ao intenso prazer que ela proporciona. No entanto, aqueles que têm experimentado dela podem estar atentos para o fato dela proporcionar um prazer temporário. Em longo prazo algumas das conseqüências são a perda da própria saúde e vitalidade espiritual.
Não há como ter uma intimidade com Deus vivendo dependente dos prazeres e da pornografia.
Por Steve Gallagher
Fonte: Sexxxchurch.com
As pessoas que são viciadas em pornografia são verdadeiros amantes do prazer. Na verdade, é impossível para um viciado em pornografia não ter amor pelo prazer.
Tornar prazer o aspecto mais importante da vida poderia ser comparada a uma adolescente que acha que pode viver em bares e boates. Verdade, ela não vai cair morta, dentro de alguns dias, por causa de tal dieta pouco saudável, mas a sua qualidade de vida vai ser gravemente prejudicada. A constante ingestão de açúcar vai gradativamente causar podridão em seus dentes, empobrecem o seu nível global de energia e podem mesmo conduzir a uma coisa séria, como a diabetes. Pior que isso, substituindo alimentos saudáveis por doces, o seu corpo não vai receber a alimentação que é necessária para afastar doenças e sustentar a vida. Sem dúvida, o resultado deste estilo de vida seria uma vida doente e uma morte prematura.
Da mesma forma, as experiências agradáveis são destinadas a serem a “sobremesa” da vida. Mantendo na perspectiva correta, a vida é equilibrada pelos pontos principais da dieta saudável: espírito de oração, leitura bíblica, presença na igreja, atos de bondade, dar dízimos e ofertas, e assim por diante. No entanto, quando a gratificação torna-se o principal ponto da existência, assim como as podridões de uma pessoa da vida espiritual, ela acaba também vomitando tudo o que é saudável.
Jesus disse que o amor pelo prazer faz com que os frutos não amadureçam (Lucas 8:14). Tiago disse que por causa do amor pelos prazeres é que não recebemos nada, porque queremos apenas os nossos prazeres (Tiago 4:1-3). O escritor de Hebreus disse que preferiria ser maltratado a se entregar aos prazeres do pecado (Hebreus 11:25). O apóstolo Paulo falou daqueles que são “escravos dos prazeres e paixões” (Tito 3:3).
Embora essas passagens sejam bem profundas, as palavras proféticas de Paulo em II Timóteo 3:4-5 são mais alarmantes. Lá o apóstolo fala dos últimos dias onde teriam alguns que amariam mais os prazeres do que a Deus.
A decepcionante verdade é que quando alguém procura prazer, o mesmo torna-se o principal na vida da pessoa e o amor de Deus fica distante. João expressa algo semelhante quando ele disse: “Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele. Tudo o que está no mundo, a luxúria da carne, os olhares impuros ou algum orgulho de vida, não é do Pai, mas sim do mundo.” (1 João 2:15 b-16)
Tudo está falando do mesmo fenômeno espiritual: o desejo por prazeres mundanos anula a habilidade de estar em um verdadeiro relacionamento com Deus.
A forma de “bonzinho” pode parecer intacta, mas, na realidade, a vida espiritual da pessoa se torna dependente desse estilo de vida.
A Pornografia é extremamente viciante devido ao intenso prazer que ela proporciona. No entanto, aqueles que têm experimentado dela podem estar atentos para o fato dela proporcionar um prazer temporário. Em longo prazo algumas das conseqüências são a perda da própria saúde e vitalidade espiritual.
Não há como ter uma intimidade com Deus vivendo dependente dos prazeres e da pornografia.
Por Steve Gallagher
Fonte: Sexxxchurch.com
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segunda-feira, 29 de junho de 2009
Pastor dos EUA convida fiéis a levarem armas para a igreja
Um pastor de Kentucky nos Estados Unidos está convidando seus fiéis a participarem de um evento que pode surpreender os que não acreditam na relação entre fé e armas. Segundo disse o reverendo Ken Pagano à edição online da revista Time, a Celebração Pública de Tenencia, programada para o próximo sábado, não é um culto, mas ele espera que todos os cristãos devotos e que gostam de armas compareçam à igreja para dar graças pelo direito de poder usá-las.
Segundo Pagano, pastor da Igreja New Bethel, da congregação Assembléia de Deus, o evento está sendo planejado há meses, mas atraiu pouca atenção até ser noticiado pelo jornal Louisville Courier, no início do mês. Desde então, o pastor virou uma celebridade na região.
O reverendo, que também é voluntário no departamento de polícia de Louisville - onde não usa uma arma - disse que é um excelente atirador e defensor do porte responsável de armas. Apesar de receber criticas por misturar armas e religião, ele diz que, na sua opinião, os cristão precisam estar preparados para defender a si e a suas famílias.
Pagano admite que casos recentes, como o do homem que entrou atirando no Museu do Holocausto, em Washington, parecem desacreditar sua teoria, mas reforça que as pessoas precisam aprender a utilizar as armas.
Um grupo que se opõe ao evento organizado pelo pastor está planejando outra manifestação para o mesmo dia. Terry Taylor, que organiza o evento paralelo, disse à Time que a defesa do uso de armas passa uma imagem errada de Louisville, que, de acordo com ele, "é o centro espiritual dos Estados Unidos".
Fonte: Globo
Segundo Pagano, pastor da Igreja New Bethel, da congregação Assembléia de Deus, o evento está sendo planejado há meses, mas atraiu pouca atenção até ser noticiado pelo jornal Louisville Courier, no início do mês. Desde então, o pastor virou uma celebridade na região.
O reverendo, que também é voluntário no departamento de polícia de Louisville - onde não usa uma arma - disse que é um excelente atirador e defensor do porte responsável de armas. Apesar de receber criticas por misturar armas e religião, ele diz que, na sua opinião, os cristão precisam estar preparados para defender a si e a suas famílias.
Pagano admite que casos recentes, como o do homem que entrou atirando no Museu do Holocausto, em Washington, parecem desacreditar sua teoria, mas reforça que as pessoas precisam aprender a utilizar as armas.
Um grupo que se opõe ao evento organizado pelo pastor está planejando outra manifestação para o mesmo dia. Terry Taylor, que organiza o evento paralelo, disse à Time que a defesa do uso de armas passa uma imagem errada de Louisville, que, de acordo com ele, "é o centro espiritual dos Estados Unidos".
Fonte: Globo
quarta-feira, 13 de maio de 2009
Igreja x imprensa
Entrevista com Omar de Souza
Publicado em 11.05.2009
Este é um assunto comentado e debatido de tempos em tempos. O quanto há de verdade no pensamento corrente entre os evangélicos de que a imprensa nos persegue? Conversamos com um jornalista que tem passagens por veículos crentes e não crentes para nos dizer o quanto esta percepção procede.
Omar de Souza é pastor e jornalista formado pela Universidade Gama Filho, no Rio de Janeiro, com passagens por jornais como Jornal do Brasil, Estado de São Paulo e O Dia, Editora Record e assessoria de imprensa na Câmara Municipal de São Paulo. É também fundador das revistas Igreja, Consumidor Cristão e co-fundador das revistas Vinde (atual Eclésia) e Ictus (segunda fase), entre outras. Atualmente dirige a Editora Integral em São Paulo.
A imprensa vive uma guerra velada contra a igreja?
Omar - Para ser sincero, não acredito nisso. Não acho que exista uma "teoria da conspiração" cujo alvo seja a igreja, a não ser na dimensão espiritual. Penso, sim, que haja jornalistas que considerem as igrejas como ótimos alvos de matérias de crítica ou denúncia. E o mais triste é que nunca lhes falta pauta, pois as igrejas têm sido pródigas em oferecer escândalos. Essa predisposição de alguns jornalistas seria equivalente a de outros (e até dos mesmos) em relação à polícia ou aos políticos, ou seja, estão sempre esperando que alguma dessas instituições cometam algum deslize para denunciá-lo. E se pensarmos nessa questão sem paixão, chegaremos à conclusão de que o que se espera dessas instituições é sempre uma atitude ética, coerente com o discurso que professam. Se dizemos que somos transformados por Deus em agentes de justiça, de ética, é natural que a imprensa cobre esse comportamento.
Alguns afirmam categoricamente que os evangélicos são perseguidos pela Rede Globo. Qual a sua visão sobre isso?
Omar - É possível que o bom relacionamento que a Globo sempre tentou manter com a Igreja Católica (que continua sendo a que reúne mais adeptos no país) tenha, de alguma forma, "contaminado" a maneira de tratar os evangélicos, mas acho exagero falar em perseguição. Houve, naturalmente, casos específicos, como a disputa com a Rede Record, que acaba respingando na Igreja Universal do Reino de Deus, e as denúncias recentes contra a Renascer. É claro que não se pode considerar a Rede Globo uma aliada, até porque ela não tem obrigação de ser. Além disso, pensando em termos bem comerciais, acredito que nem interesse à Globo perseguir um segmento que, a permanecer no ritmo atual, pode chegar a ser majoritário em mais algumas décadas.
Por que muitas das boas ações sociais praticadas pelas igrejas não são notícia?
Omar - Acredito que pelo mesmo motivo que mencionei na primeira resposta: essa é a nossa obrigação. Nenhuma mãe vira notícia porque alimenta o filho todo dia, da mesma forma que nenhum pastor deve se achar digno de protagonizar uma reportagem pelo fato de ser um bom cristão. É claro que a divulgação de trabalhos realizados de acordo com a nossa missão como cristãos poderiam incentivar outras iniciativas, mas aí entra uma questão histórica da imprensa, e não apenas a brasileira: a catástrofe, o crime, o escândalo chamam mais atenção e vendem mais ou proporcionam mais audiência. Há, ainda, outro fator que só depende de nós: os evangélicos, de modo geral, não sabem se relacionar com a imprensa. Consequentemente, não sabem divulgar as boas realizações. E aí não se trata de uma questão de se vangloriar nas obras, que obviamente não têm valor celestial algum, mas de potencializar os resultados e o alcance de nossa missão por meio da divulgação de informações. Sem contar com o fato de que, quanto mais transparentes somos, mais confiança inspiramos.
O que explica o fato de um show sertanejo de 10-20 mil pessoas ser notícia enquanto um outro show gospel que reúne 1 milhão de pessoas nem sequer é mencionado pela imprensa? Falta divulgação do nosso lado?
Omar - Sim, até certo ponto, como mencionei na resposta anterior - apesar de achar difícil hoje em dia a imprensa ignorar um ajuntamento de 1 milhão. Mas há que se considerar outros fatores, como os mecanismos do marketing. Por exemplo, se um grupo como o Oasis vem ao país, ganha primeiras páginas de todos os suplementos de cultura e entretenimento dos jornais, espaços generosos nas rádios e TVs, na internet, mesmo que se apresente uma só vez em um ginásio para 20 mil pessoas. Um artista evangélico, por mais famoso que seja, não recebe o mesmo tratamento porque não é considerado celebridade. Algumas igrejas e empresas de orientação cristã estão tentando reproduzir esse sistema, e ainda não sei bem a serviço de qual interesse.
Qual deve ser a postura e a estratégia das igrejas para conseguir espaço nos veículos de comunicação?
Omar - A primeira atitude deve ser a transparência. Temos de assumir nossas virtudes, mas também nossas mazelas - talvez seja até interessante que nos humanizemos mais e, assim, nos identifiquemos com o próximo, como Jesus fez. Se uma igreja ou denominação tem coisas a esconder, a imprensa desconfia. E pensando bem, nós mesmos deveríamos desconfiar. Não somos empresas para termos segredos industriais ou corporativos. É claro que há informações de consumo interno, mas existem outras que, se estiverem de acordo com a lei e, sobretudo, com a missão, não precisam ser sonegadas. O segundo passo é a divulgação do trabalho da igreja na comunidade onde está instalada, o bairro, a região, a cidade. As pessoas precisam conhecer o que aquela igreja tem para oferecer, e isso só acontece quando a igreja se manifesta. O passo seguinte é estabelecer diálogo com os veículos de comunicação, como jornais (incluindo os do bairro), rádios, TVs. É importante deixar claro ao jornalista que ele pode pensar na igreja como uma referência ao abordar não só questões de fé, como de engajamento, de participação social, de ações afirmativas. Leva tempo, mas as igrejas, denominações e lideranças que fazem isso ganham o respeito da imprensa.
Toda igreja deveria ter um assessor de imprensa? Em que situações ele é necessário? Seria ele o responsável por “defender” a imagem da igreja?
Omar - Não necessariamente, até porque a maioria delas não tem demanda para ter um assessor. Mas algumas precisam, pois a necessidade de um assessor de imprensa é proporcional à presença dessa igreja na mídia - e falo não apenas da mídia convencional, mas também a do próprio segmento. O trabalho de um assessor é necessário, por exemplo, quando uma igreja está realizando um forte trabalho social em uma comunidade carente que está chamando a atenção da imprensa, ou durante uma programação de grande porte. Há, naturalmente, o que se costuma chamar "administração de crises", quando o assessor se torna a voz da igreja, organização ou denominação em um momento delicado. Mas o bom assessor não é necessariamente o que defende a sua organização de maneira inconsequente, e sim o que consegue administrar esse relacionamento com a imprensa de maneira que seja estabelecida a confiança mútua: a organização entende e apóia o trabalho dos jornalistas que, por sua vez, respeitam e dão espaço às manifestações da organização.
Que técnicas ou ferramentas um assessor de imprensa (contratado ou free-lancer) pode utilizar para trabalhar a imagem da igreja?
Omar - Em geral, assessores de imprensa são jornalistas formados, alguns deles com anos de experiência "do lado de lá", isto é, dentro de jornais, e por isso conhecem as demandas de seus colegas de profissão. Dependendo da organização para a qual trabalham, podem se valer de informativos impressos e virtuais, distribuição estratégica de releases e avisos de pauta etc. Mas é importante ressaltar que qualquer igreja ou organização pode preparar equipes internas para fazer um ótimo trabalho de divulgação e relacionamento com a imprensa, mesmo que não disponha de um assessor. É uma questão de treinamento, de orientãção. Estou preparando um seminário sobre o tema que pretendo ministrar a igrejas e organizações que tenham interesse em potencializar sua comunicação interna e externa.
Que conselhos você daria para líderes e pastores que não sabem como se relacionar com os veículos de comunicação?
Omar - É difícil resumir tudo aqui em um parágrafo já que é preciso abordar a questão de maneira ampla e oferecer instrumentos e mecanismos práticos para atingir esse e outros objetivos. Mas não poderia deixar de dar um conselho: não temam a imprensa, pelo contrário, tentem estabelecer um diálogo, uma relação de confiança.
Reprodução Autorizada desde que mantida a integridade dos textos, mencionado o site www.institutojetro.com e comunicada sua utilização através do e-mail artigos@institutojetro.com
Publicado em 11.05.2009
Este é um assunto comentado e debatido de tempos em tempos. O quanto há de verdade no pensamento corrente entre os evangélicos de que a imprensa nos persegue? Conversamos com um jornalista que tem passagens por veículos crentes e não crentes para nos dizer o quanto esta percepção procede.
Omar de Souza é pastor e jornalista formado pela Universidade Gama Filho, no Rio de Janeiro, com passagens por jornais como Jornal do Brasil, Estado de São Paulo e O Dia, Editora Record e assessoria de imprensa na Câmara Municipal de São Paulo. É também fundador das revistas Igreja, Consumidor Cristão e co-fundador das revistas Vinde (atual Eclésia) e Ictus (segunda fase), entre outras. Atualmente dirige a Editora Integral em São Paulo.
A imprensa vive uma guerra velada contra a igreja?
Omar - Para ser sincero, não acredito nisso. Não acho que exista uma "teoria da conspiração" cujo alvo seja a igreja, a não ser na dimensão espiritual. Penso, sim, que haja jornalistas que considerem as igrejas como ótimos alvos de matérias de crítica ou denúncia. E o mais triste é que nunca lhes falta pauta, pois as igrejas têm sido pródigas em oferecer escândalos. Essa predisposição de alguns jornalistas seria equivalente a de outros (e até dos mesmos) em relação à polícia ou aos políticos, ou seja, estão sempre esperando que alguma dessas instituições cometam algum deslize para denunciá-lo. E se pensarmos nessa questão sem paixão, chegaremos à conclusão de que o que se espera dessas instituições é sempre uma atitude ética, coerente com o discurso que professam. Se dizemos que somos transformados por Deus em agentes de justiça, de ética, é natural que a imprensa cobre esse comportamento.Alguns afirmam categoricamente que os evangélicos são perseguidos pela Rede Globo. Qual a sua visão sobre isso?
Omar - É possível que o bom relacionamento que a Globo sempre tentou manter com a Igreja Católica (que continua sendo a que reúne mais adeptos no país) tenha, de alguma forma, "contaminado" a maneira de tratar os evangélicos, mas acho exagero falar em perseguição. Houve, naturalmente, casos específicos, como a disputa com a Rede Record, que acaba respingando na Igreja Universal do Reino de Deus, e as denúncias recentes contra a Renascer. É claro que não se pode considerar a Rede Globo uma aliada, até porque ela não tem obrigação de ser. Além disso, pensando em termos bem comerciais, acredito que nem interesse à Globo perseguir um segmento que, a permanecer no ritmo atual, pode chegar a ser majoritário em mais algumas décadas.
Por que muitas das boas ações sociais praticadas pelas igrejas não são notícia?
Omar - Acredito que pelo mesmo motivo que mencionei na primeira resposta: essa é a nossa obrigação. Nenhuma mãe vira notícia porque alimenta o filho todo dia, da mesma forma que nenhum pastor deve se achar digno de protagonizar uma reportagem pelo fato de ser um bom cristão. É claro que a divulgação de trabalhos realizados de acordo com a nossa missão como cristãos poderiam incentivar outras iniciativas, mas aí entra uma questão histórica da imprensa, e não apenas a brasileira: a catástrofe, o crime, o escândalo chamam mais atenção e vendem mais ou proporcionam mais audiência. Há, ainda, outro fator que só depende de nós: os evangélicos, de modo geral, não sabem se relacionar com a imprensa. Consequentemente, não sabem divulgar as boas realizações. E aí não se trata de uma questão de se vangloriar nas obras, que obviamente não têm valor celestial algum, mas de potencializar os resultados e o alcance de nossa missão por meio da divulgação de informações. Sem contar com o fato de que, quanto mais transparentes somos, mais confiança inspiramos.
O que explica o fato de um show sertanejo de 10-20 mil pessoas ser notícia enquanto um outro show gospel que reúne 1 milhão de pessoas nem sequer é mencionado pela imprensa? Falta divulgação do nosso lado?
Omar - Sim, até certo ponto, como mencionei na resposta anterior - apesar de achar difícil hoje em dia a imprensa ignorar um ajuntamento de 1 milhão. Mas há que se considerar outros fatores, como os mecanismos do marketing. Por exemplo, se um grupo como o Oasis vem ao país, ganha primeiras páginas de todos os suplementos de cultura e entretenimento dos jornais, espaços generosos nas rádios e TVs, na internet, mesmo que se apresente uma só vez em um ginásio para 20 mil pessoas. Um artista evangélico, por mais famoso que seja, não recebe o mesmo tratamento porque não é considerado celebridade. Algumas igrejas e empresas de orientação cristã estão tentando reproduzir esse sistema, e ainda não sei bem a serviço de qual interesse.
Qual deve ser a postura e a estratégia das igrejas para conseguir espaço nos veículos de comunicação?
Omar - A primeira atitude deve ser a transparência. Temos de assumir nossas virtudes, mas também nossas mazelas - talvez seja até interessante que nos humanizemos mais e, assim, nos identifiquemos com o próximo, como Jesus fez. Se uma igreja ou denominação tem coisas a esconder, a imprensa desconfia. E pensando bem, nós mesmos deveríamos desconfiar. Não somos empresas para termos segredos industriais ou corporativos. É claro que há informações de consumo interno, mas existem outras que, se estiverem de acordo com a lei e, sobretudo, com a missão, não precisam ser sonegadas. O segundo passo é a divulgação do trabalho da igreja na comunidade onde está instalada, o bairro, a região, a cidade. As pessoas precisam conhecer o que aquela igreja tem para oferecer, e isso só acontece quando a igreja se manifesta. O passo seguinte é estabelecer diálogo com os veículos de comunicação, como jornais (incluindo os do bairro), rádios, TVs. É importante deixar claro ao jornalista que ele pode pensar na igreja como uma referência ao abordar não só questões de fé, como de engajamento, de participação social, de ações afirmativas. Leva tempo, mas as igrejas, denominações e lideranças que fazem isso ganham o respeito da imprensa.
Toda igreja deveria ter um assessor de imprensa? Em que situações ele é necessário? Seria ele o responsável por “defender” a imagem da igreja?
Omar - Não necessariamente, até porque a maioria delas não tem demanda para ter um assessor. Mas algumas precisam, pois a necessidade de um assessor de imprensa é proporcional à presença dessa igreja na mídia - e falo não apenas da mídia convencional, mas também a do próprio segmento. O trabalho de um assessor é necessário, por exemplo, quando uma igreja está realizando um forte trabalho social em uma comunidade carente que está chamando a atenção da imprensa, ou durante uma programação de grande porte. Há, naturalmente, o que se costuma chamar "administração de crises", quando o assessor se torna a voz da igreja, organização ou denominação em um momento delicado. Mas o bom assessor não é necessariamente o que defende a sua organização de maneira inconsequente, e sim o que consegue administrar esse relacionamento com a imprensa de maneira que seja estabelecida a confiança mútua: a organização entende e apóia o trabalho dos jornalistas que, por sua vez, respeitam e dão espaço às manifestações da organização.
Que técnicas ou ferramentas um assessor de imprensa (contratado ou free-lancer) pode utilizar para trabalhar a imagem da igreja?
Omar - Em geral, assessores de imprensa são jornalistas formados, alguns deles com anos de experiência "do lado de lá", isto é, dentro de jornais, e por isso conhecem as demandas de seus colegas de profissão. Dependendo da organização para a qual trabalham, podem se valer de informativos impressos e virtuais, distribuição estratégica de releases e avisos de pauta etc. Mas é importante ressaltar que qualquer igreja ou organização pode preparar equipes internas para fazer um ótimo trabalho de divulgação e relacionamento com a imprensa, mesmo que não disponha de um assessor. É uma questão de treinamento, de orientãção. Estou preparando um seminário sobre o tema que pretendo ministrar a igrejas e organizações que tenham interesse em potencializar sua comunicação interna e externa.
Que conselhos você daria para líderes e pastores que não sabem como se relacionar com os veículos de comunicação?
Omar - É difícil resumir tudo aqui em um parágrafo já que é preciso abordar a questão de maneira ampla e oferecer instrumentos e mecanismos práticos para atingir esse e outros objetivos. Mas não poderia deixar de dar um conselho: não temam a imprensa, pelo contrário, tentem estabelecer um diálogo, uma relação de confiança.
Reprodução Autorizada desde que mantida a integridade dos textos, mencionado o site www.institutojetro.com e comunicada sua utilização através do e-mail artigos@institutojetro.com
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quarta-feira, 15 de abril de 2009
Surfistas, atletas, roqueiros: há igreja para qualquer tribo
Atletas, surfistas, homossexuais, tatuados, lutadores, gente que se diferencia pelo visual, fãs de hip hop ou de heavy metal: há igrejas para todas as tribos no Brasil. Na segunda da série de reportagens do SBT sobre a fé, o jornalista Sérgio Utsch mostra uma igreja evangélica para lutadores de jiu-jitsu e outras que apostam em filões de público, como surfistas, roqueiros ou atletas. Reportagem do SBT
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